“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

28/01/2011

Carta de Jenny Scavinsky: Jesus, Maria e José


Oi! Eliana, caí de quatro por causa das poesias do seu Blog, maravilhas eternas que temos a dádiva de poder ver e ler. Meu sogro, já falecido, Dr. Mozart Cardozo de Alencar foi um poeta emérito e qualquer hora pego seu livro que foi editado com o nome de "Doce de pimenta". A capa do livro foi desenhada por Humberto (o velho). É verdadeiramente um sonho. Nele tem uma poesia dedicada à Geni, que foi sua namorada quando ele estava estudando medicina em Salvador, Bahia, nos anos 30. De vez em quando, ele recitava essa poesia em homenagem à mim. Eu era muito bonita e ele, admirado com a minha figura, costumava fazer-me elogios, e sua esposa Odete não gostava. Saía da sala enciumada. Paciência, ela era muito boba, não entendia o marido, afinal ele era um poeta...


Recordo-me que ao chegar em Juazeiro, final de 1963, a cidade não tinha nenhuma mulher alva e alta como eu, então, numa tarde passeando com meu filho Betinho, ouvi de transeuntes: “nossa ela é feita de leite”, e quanto a mim, Betinho e Humberto, a expressão: “Jesus, Maria e José”. Olha só aonde eu fui parar! Passado que fique por lá! Estou muito bem agora, enlevada por essa Atibaia que me deixa apaixonada. 

Tarde triste, chuvosa, boa para recordações. Ouvindo os cedês do Almir Sater, me comovo até às lagrimas. O sujeito é descendente de árabes e tem a alma voltada para as belezas da vida e do amor. Um dos cedês se chama "Sete sinais".

Agora vou lhe contar as peripécias no Incor. No último exame, o resultado foi bom, devo voltar daqui a seis meses. Sobre a catarata, o exame vai ser dia dezesseis de fevereiro, e dai penso que vão marcar a data da operação. Esqueci de lhe contar sobre a trombose. Como é retrombose, devo usar meias Kendal e tomar Marevan até o final da minha existência, bonito não? Só isso que me faltava!

Eliana, vou me despedindo. À você, minha amiga, um bom começo de semana e tomara que seu ferimento cicratize logo. Ah! Ia esquecendo, meus sobrinhos que moram em Rio Claro, estão pensando em sair de lá, porque já estão idosos e com problemas de saúde, espero que venham aqui para Atibaia para ficar perto de mim! Tenho outro sobrinho neto que vai se casar e vai viver em Santa Catarina. Eita mundo véio, já tenho tataranetos! O Victor com quase dois anos e Stefany, com três meses (nasceu com problemas auditivos, meu Deus, não vai aprender a falar, a não ser por um milagre)...

Um beijão à minha querida amiga Eliana,

Jenny
(23/01/2011)

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