“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

22/03/2011

Adalberto Monteiro: A meu Partido

Em 25 de março, o PCdoB completa 89 anos

A meu Partido
Variação de um poema de Pablo Neruda 


Fora de ti, embora que ardente,
embora que fogo,
eu seria uma frágil fagulha,
um doce alimento do vento.
Em ti, continuo a ser fagulha
mas integrante das chamas,
das labaredas,
que escuridão e lama
nenhuma conseguirão deter.
Fora de ti,
sou um “indivíduo..
nada mais”.
Em ti,
continuo um pigmento rubro
da vermelha aurora
que o sol hasteia
a cada manhã.
Fora de ti,
sou um homem frágil
atirado ao mar;
Lá estive
e me lembro o que eu era:
um homem com os punhos
e a alma ferida;
Não que eu não amasse, qu´eu sempre amei,
Não que eu não guerreasse,
Qu´eu sempre na guerra estive.
E que sozinho
eu me julgava
um guerreiro de uma guerra
já perdida,
um cavaleiro de uma princesa
já sem vida.
Sozinho, muitas vezes às cegas
eu vagava,
e os meus olhos
eram só sal e água.
Sozinho, eu me sentia
uma caça miúda com a qual
o inimigo se divertia.
Contigo estou em toda parte,
sou muita gente,
tenho muitos nomes:
sou greve, sou tocaia,
sou guerrilha,
sou beijo,
sou canção. 
Contigo,
aprendi que o futuro
não é uma toalha bordada
pelas mãos divinas.
O futuro ensinaste-me,
nossas mãos unidas
vão arrancando,
vão talhando,
esculpindo, polindo,
na rocha bruta,
áspera,
adversa
do presente.

Adalberto Monteiro em Outubro 1990.
E publicado em ”Os Sonhos e os Séculos”, Goiânia, 1991.

2 comentários:

vantotski disse...

hi i love your template..its nicer :)

vantotski disse...

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