“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

26/03/2011

Carta de Jenny Scavinsky: Jaguatirica, também já tive!


Domingo esplendoroso! Lembrei minha adolescência, eu em Ribeirão Preto, gazeteando a aula da Escola Vocacional e Profissional. Eram 10 horas da manhã, estava em frente ao zoológico de Ribeirão, do outro lado da rua três moleques estavam maltratando um gato enorme, eu corri em socorro dele, e assustando os safados moleques, salvei-o da sanha mortífera, e colocando o gatão no meu colo junto às pastas escolares, levei-o para minha casa.


Chegando, minha mãe se assustou com o tamanho do bicho, levei-o para o quarto e ele foi refugiar-se embaixo da cama de minha mãe, então ela foi à cozinha onde estava fazendo frango ensopado, pegou uma coxa e veio para dar ao gato. Este, esfomeado agarrou e comeu em agonia. Pronto já estava domesticado! Lindo! Parecia um pequeno tigre, minha irmã Elvira quando vinha de Itirapina ficava com medo dele e pedia à minha mãe para botá-lo para dormir fora de casa. Eu achava engraçado, ele se habituou aos canários, meu cachorro e mais dois gatos. À noite meus gatos saiam para a ronda noturna e ele não ia junto, acompanhava-os até o muro e lá ficava vendo-os partir. Estes voltavam às cinco horas da manhã, e ele estava dormindo ao lado da minha cabeça.

Infelizmente tudo tem seu fim. Um dia notei que ele tinha dificuldade de locomoção, as patas trazeiras não obedeciam, então chamamos o veterinário que cuidava dos bichos do Zoo, ele nos disse por ser uma Jaguatirica precisava de comida especial, no mato eles comem as entranhas de outros animais, e com isso nutrem-se, aquela época não tínhamos antibiótico, este apareceu depois da segunda guerra. E infelizmente morreu. Uma amiga que morava um quarteirão acima veio nos informar que nosso gatão estava morto no seu porão. 

Animais como o gato e o cachorro também não querem morrer aonde viveram. Meu cachorro o Neguinho, tamanho mediano, aconteceu o mesmo, quando aplicaram a vacina contra raiva, por ele já estar idoso (nove anos) deu uma reação terrível, tive a impressão de que o mesmo estava com raiva, ele começou a se enfiar no mato lá no meu sitio no Ceará, morreu depois da meia noite, longe de casa. Meu marido foi vê-lo e já estava morto. Meu marido chorou como se tivesse perdido um ente da família, como eu tivera uma espécie de AVC, fiquei internada durante 23 dias, meus sentimentos estavam mudados, não senti quase nada... ao recordar, agora é que sinto muito mesmo.


Abraços de Jenny.


Mais cartas de Jenny



Um comentário:

Anônimo disse...

Oi querida, que bom ver a foto de uma Jaguatirica, magnifico, penso que os felinos, são belos, por isso quando a gente vê um belo homem dizemos é um gato. Como é, gostou da historia do Timtim?, hoje estou sem sono, estou a todo vapôr, Bjs Jenny