“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

06/05/2011

Carta de Jenny Scavinsky: Me vi de repente no meio de uma floresta de Álamos




Querida Ada, que domingo, murcho! Parece quarta-feira de cinzas! Ontem faleceu um conhecido nosso, o Julio, tio do Felipe, aviador acrobata amigo de Beto. Faleceu depois do almoço. Quando a noticia chegou, eu estava no computador toda entusiasmada pensando na Luciana, sua sobrinha, que iria numa festa de aniversário onde todos iriam fantasiados de heróis. Ao contrário, qual o quê, a vida nos reserva surpresas e daí vai tudo por água abaixo. Eu chorei de pena, o Julio era um sujeito que não conversava com as pessoas que não eram apresentadas a ele. Um dia estávamos eu e Beto no Hospital das Clinicas e lá vinha ele em nossa direção e nos cumprimentou sorridente e alegre por encontrar pessoas conhecidas. Isso faz dois anos, dai não o vi mais. Foi internado no Hospital do Câncer, e que a terra seja leve... E como será que vai a Lu? Ela é sobrinha dele. Ainda não deu para levarmos os pêsames, estamos sem carro.

Querida amiga, vivamos com toda intensidade e desfrutemos. Façamos como quando se chupa uma laranja e depois jogamos o bagaço fora. Lembro que, quem dizia isso era meu pai.

Estou ouvindo Zé Ramalho, o Cd chama-se Eterno, como minha alma será um dia. Ontem tive um daqueles "sentimentos". Eu digo assim pois não sei como chamá-lo, me vi de repente no meio de uma floresta, lá da Europa, não sei o local, só sei que também a vi há muitos e muitos anos, as árvores pareciam Álamos, também poderiam ser Tilias, era começo de primavera e eu corria entre elas, coisa mais estranha.

Quando estava morando na Rua Martins Fontes tive essa visão, então com a ajuda de Humberto, que era pintor, consegui passar para uma tela e quando o quadro ficou pronto levei-o para minha irmã, a Elvira, que ficou maravilhada. Daí, dei o quadro para ela, e quando ela faleceu, ficou com Paulo meu sobrinho e ele não sabe onde colocou-o, pois mudaram-se depois da morte do meu cunhado, o Franscisco, ele faleceu do mal de Alzeimer e dai se mudaram para Rio Claro, e o quadro desapareceu. E agora porque volta? Seria alguma mudança na minha vida?

Boa tarde minha querida amiga.

Jenny
(27/3/2011)

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