“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

03/05/2011

Carta de Jenny Scavinsky: Meu avô caiu no lago congelado em Dacha


Olá querida! como vai? Eu e Beto passamos uma Páscoa sofrida, solitária e com sérios problemas de saúde.  Não sei te explicar o tombo que levei na quarta-feira passada. Bati de frente num banquinho de colocar os pés e ainda bem que Beto estava em casa. Ele ouviu o barulho e veio correndo, me ajudou a levantar, meus joelhos estavam ardendo, e no lado direito abaixo do seio estava dolorido.

Quinta feira eu já estava tossindo, nariz escorrendo e muitos espirros, estava me sentindo mal e fomos até o Pronto Socorro, no atendimento tiraram um raio X do meu pulmão e no lado direito uma vértebra trincada e muito muco no pulmão. Esse muco já estava bem velho, desde o fim do ano passado, eu sentia uma opressão no peito quando deitava, pensava que era porque eu engordei, o peito chiava e me cansada por nada. Então prescreveram medicamentos.

E por isso passamos o domingo e a segunda feira de cão... nunca na minha vida tive um problema de saúde como esse, é bronquite herdada do meu avô, ele faleceu de tuberculose, pois, àquele tempo não tinha antibiótico.

Eu não sei si já lhe contei o que aconteceu com meu avô. Num inverno, quando ele foi caçar no lago perto de Dacha (casa deles) (*), então nesse lago à noite homens iam pescar, levavam lanternas faziam buracos e então os peixes atraídos pela luz apareciam e eles pegavam com filetes de aço. 

O buracos deveriam ser fechados, mas o fulanos eram preguiçosos e não tamparam. Meu avô infelizmente caiu no buraco ficando preso pela axilas. Sua roupa era de couro e os cachorros, enormes cães de caça, seguraram-no pelo braço puxando-o e ele gritando disse aos cães que fossem buscar ajuda, e lá foram. Um ficou segurando-o pelo braço e dai um tempo apareceram os caras para ajudar, levaram-no para casa com as pernas congeladas. Chegando tiraram suas roupas e esfregaram vodka, fizeram-no tomar a vodka e muito chá quente.

Dias após, ele teve pneumonia, e mais tarde a tuberculose. Vovó ficou desesperada, vendeu uma propriedade e partiu para Suiça e outros paises em busca do salvamento dele, chegou a vender a segunda propriedade, tudo em vão, infelizmente ele faleceu.

Nós da família Kontrimovich  estamos fadados a sofrer males de pulmão, minha primeira sobrinha tinha bronquite que durou toda sua vida. E eu também estou nessa  bronquite congênita. Que merreca não?

Minha querida amiga, espero que não tenha lhe entretecido, logo vou lhe escrever a história dum cavalinho chamado Pingo, que nasceu no quintal da casa onde nasci, acho que vais gostar. 

Vem ai o dia das Mães, uma data criada pelos capitalistas, e para meu filho Beto, todo dia é dia das Mães!

Um beijão, Jenny.

(*) Dacha:  Palavra russa que significa  casa fora da cidade ; casa de campo; casa de veraneio. Na Russia somente as pessoas muito ricas têm uma dacha.



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