“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

02/05/2011

Sobre conto de fadas e coisas medievais

A princesa tem que andar dois passos atrás do principe e tem o dever de obedece-lo. Isso é lei. Entre outras coisas do gênero, tivemos que engolir, por semanas, um faz-de-conta que tudo é lindo no castelo! Fora isso, é um tal de inventar santo! Tenho mais o que fazer! Li um texto que colocou palavras em minha boca. Então aqui vão elas para o Blog:  


"A semana que passou foi uma festa medieval. A mídia dominante já não sabia o que inventar para estimular e saciar a sede por notícias a respeito do casamento real em Londres. Aliás, a realeza é um resquício da crença de que algumas famílias são preferidas de Deus, ao contrário de nós, a plebe ignara e rude. No momento em que digito estes caracteres, ainda não foi exibido o príncipe estendendo no balcão de seu castelo o lençol com a mancha de sangue de sua vestal princesa, a provar que, sim, ela era casta e, sim, ele cumpriu com seu papel de varão e consumou o ato.

O sangue exibido foi outro, de outro vestígio medieval. Parece feira de horrores, mas o Vaticano resolveu expor, a partir de 1º de maio, o sangue do beato João Paulo II na basílica de São Pedro. O finado papa tinha medo imenso da morte e, a cada problema de saúde (causado pelas balas de que foi alvo num atentado de um criminoso, ou devido a uma simples dor de cabeça), corria socorrer-se da ciência médica, em vez de correr à capela mais próxima e rezar um terço em busca da cura. Aliás, seu sangue foi retirado por uma equipe médica durante um de seus tratamentos. Pois bem, o sangue papal fica agora exposto à veneração pública. Com isso, a seita comandada por Bento XVI contraria uma ordem do Deus que diz venerar. Assim está escrito, no Êxodo, 20, 2-5: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que existe em cima nos céus, ou embaixo na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante dos ídolos, nem lhes prestarás culto, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento”.

Mas isso náo é coisa de nossa conta, nós os minoritários 3% de brasileiros que não acreditamos em “Deus, deuses, ser ou seres supremos”. Lástima que, mesmo assim, essas trevas toldem nossa vida luminosamente ateia." 



Por Carlos Pompe em "O mundo é crente e emsombrecido pela idade das trevas"

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