“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

25/11/2011

Casinha térrea com telha de barro


Pois é. Casinha térrea com telhas de barro, telhado não muito novo será certo alguma goteira, um quintal pequenino mas é o universo numa casca de noz, o sol invade em retalhos sombreados pelas nuvens, ou não, o suficiente para dar cálcio aos nossos ossos e iluminar nossa janela, e suficiente para ver a Lua e as estrelas, receber sobrevôos de passarinhos e maritacas aos berros todas a manhãs e secar as roupas no varal.  

Fica relativamente perto do Rio Tietê, o pobre Rio aviltado, e ali pertinho tem o Parque Ecológico do Tietê, que ainda não tive o prazer de curtir. As ruas do bairro são planas, cobertas com blocos, melhor que asfalto pois não fica escaldante e alguma grama nasce implorando em seus vãos. Comprar bicicleta está na listinha da vida que se pretende nova. A maioria das casas são térreas, todo mundo se dá bom dia. Na sexta-feira tem feira e a banca de flores fica quase na minha porta. Apesar de achá-la cara, me serve de frutas frescas praticamente “sem sair de casa”. O caminhão passa lavando tudo depois. Nunca se ouviu falar em assalto, mas as casas todas têm suas grades por tradição. Estou colocando uma também. É um bairro de periferia, fronteira com São Paulo, com o “fim” de São Paulo, abandonado pelos governos, sabe-se.

Agora, lá em casa, passamos por algumas dificuldades de adaptação e a tranqüilidade abalada, porque os vizinhos dos dois lados estão reformando e reconstruindo paredes. Tem um pó invadindo-nos, e não é o de pirlim-pim-pim. A mangueira de água (nossa! isso existe!) ligada todos os dias, é diversão na certa! E ainda dizem as más línguas que gatos não gostam de água. A minha gangue de seis gatos - de lambuja um cachorro que pensa que é gato - corre para festejar, beber e pular o “rio” que deságua no ralo, para depois bater as patinhas em tremeliques frenéticos e ficar um tempão lambendo-as para secar. A-do-ram água corrente, só para contrariar o dito popular.

A casinha recebe alguns pernilongos e mosquitos. Andei colocando na tomada um repelente que emite ruído supersônico. A gente imagina ser ensurdecedor para os insetos... mesmo assim, alguns passam pela barreira e me vejo caçando, junto com os gatos. Anuncio com voz de alerta “bicho!” e todos vêm me ajudar. Minha amiga Sandra me presenteou com velas de andiroba, comercializadas em sua loja Germinar. 

As plantinhas ganharam sua liberdade. Nem sei como elas cabiam na varanda de metro quadrado sombreada do apartamento. Parece que dobraram de tamanho! A primavera está lotada de botões e prometo mostrar suas fotos assim que se abrirem em púrpura. A pimenteira reviveu suas pimentas brancas e as violetas estão brotando na janela da cozinha.

Gente, estamos curtindo a casinha sim, lembra casinha de interior, e foi necessária essa mudança drástica de hábitos por diversos motivos que um dia te conto. Passei a andar de ônibus e metro, (que é quase uma tragédia) mas sou vizinha de minha mãe e durmo num silêncio delicioso, uma grande aspiração além do quintal.

Dias melhores ainda estão por vir.

PS.: continuo devendo as fotos.

Nenhum comentário: