“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

29/11/2011

Flush de Virginia Woolf confirma a tradição inglesa do "pedigree"


Capa do livro em sua 1ª edição em 1933


Lendo Flush, memórias de um cão, de Virginia Woolf, é possível confirmar que na Inglaterra o pedigree é levado a sério e que o Kennel Club criou uma jurisdição para as raças de cães de tal monta, que a “criação” de novos cães, com novos padrões de pelagens, estatura, comportamento – que acho execrável - e que abominam os pobres cães que não nascem com o perfil inventado, por capricho, pela aristocracia inglesa desde a era vitoriana até nossos dias. E Flush, sendo um legítimo representante da raça Cocker Spaniel, tem lá suas características definidas aristocraticamente mas que Virginia questiona durante o desenrolar da ficção, dando-lhe a chance de se tornar um democrático cão, amigo dos vira-latas. Dá-lhe liberdade e defende a igualdade, mesmo que “en passant”, o que chamou minha atenção tratando-se de uma mulher, de uma inglesa e do tempo em que viveu..

Assista também aos videos aqui no Blog, sobre pedigree: Os segredos do pedigree

Virginia escreve maviosamente e a gente vê as imagens brotando no ar das palavras, como fossem trepadeiras viçosas e abundantes e entrelaçadas e depois, musgo encrustrado nelas, enraizado, cheio de sentimentos ocultos e questionamentos que invadem nosso coração. Virgínia me conquistou. As ondas é o que pretendo ler em seguida. 

Flush foi inspirado nas cartas que os poetas ingleses Elizabeth Barret e Robert Browning trocaram entre si e onde Flush, um Cocker Spaniel dourado, aparece com grande ênfase como animal de estimação e grande companheiro da poetisa. Virgínia escreveu esse livro em 1933 para se divertir e descansar do extenuante romance “As ondas”, escrito no ápice de sua carreira, em 1931. Dez anos depois, ela se suicidou, aos 59 anos de idade, em 28 de março de 1941.

Recomendo a leitura! De alto nível!

Leia também: link da postagem anterior

No embalo, sugiro o comentário interessante sobre Flush em http://comendolivros.blogspot.com/2011/05/flush-memorias-de-um-cao.html

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