“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

18/12/2011

Conchas e Poesias, preciosos presentes

O carteiro estava desistindo de mim quando decidiu tocar a campainha da vizinha (obrigada vizinha!) e deixar uma caixa enviada por sedex, vinda de Ubatuba. Há três dias essa caixa passeia recheada de conchas e poesias entre a agência do correio e meu portão, ausente de mim. E junto desse presente caríssimo, com cheiro de mar e amor, veio um cartão amigo desejando que as conchas trouxessem sorte para meu destino e um livro que traz 300 cartas de amor.

O presente é da amiga de infância, Elenice, que a vida separou por contingências, mas vez ou outra, a vida nos une através da saudade e de encontros rápidos, mesmo que virtuais.


- Elenice, agora estou aqui, devorando as cartas que Tompson te deu, com tanto humor e amor, e entre risadas e emoções tão contidas em suas palavras, pude saber da existência dessa pessoa interessante e engraçada com quem dividiu parte de sua vida..

E também, você se trouxe às minhas lembranças, o que na infância já me beneficiava com seu sorriso escancarado, que esse seu jeito decidido e forte – de quem toca castanholas - embute uma ternura especial. Sou privilegiada por poder compartilhar dessa amizade e cumplicidade que puderam viver, você e Tompson.

Você não faz idéia de como sua atitude de enviar as conchinhas cheias de sorte, escolhidas por você e ainda com areia, e em recolher as poesias e cartas de seu amor, editá-las, publicá-las  e dividi-las comigo, o quanto mudou meu dia. Um carinho acresceu em minha vida... e confesso que andava tristonha.

No mesmo dia, engoli 28 páginas de “Granítico” como se estivesse engolindo mariscos. Dia seguinte segui lendo no metro, e as gargalhadas que dei em certos trechos, chegaram a despertar a curiosidade dos outros. Até lacrimei de rir com o jeito engraçado dele se expressar e ver a vida. Não só de humor, mas de emoção por sabe-lo morto, que triste!

Diz ele:

"Viaje bem, deixe suas castanholas na baú para não ir batendo no volante a cada lembrança do instinto espanhol".

"Duvida da palavra querida? Estou queridando, ou melhor, estou querimbanzo." 

"Querida mulher, estou estarrecido em um ponto da minha vida. Quanto carinho tenho destinado a um cão e não dei ao meu filho. Este, o cão, me entende. Vou escrever, vou ler, ele se aquieta. respeita meu momento, mas refiro-me à paciência que não tive com meu filho ou filhas. Agora tenho um cão-filho." 

"Se um dia esqueci de dizer-lhe que a amo, é porque estava dormindo, mas sonhando com você." (Tompson, In "Granítico")

- Elenice, que bela homenagem prestou a ele, editando e publicando suas cartas! Bela declaração de amor e amizade! Quanta história você reserva! Percebi que mantemos grandes afinidades, amiga. Seguimos tocando castanholas e cultivando coisas simples da vida, valorizando sentimentos, gostando de livros, de gente poética e de conchas...

Presentão esse, amiga! Estão em lugar de destaque em minha casa e coração. Obrigada. (Ada, 18/12/2011)

Nala, a mais velha, portanto sábia, gostou do livro
As conchas vieram com areia e sorte


300 cartas de amor transformadas no livro "Granítico" de Tompson Luciano Bueno.
Ponta Porã (MS) 30/05/1939 - Ubatuba (SP) 23/03/2010.

Nala curtiu as conchas de Ubatuba

Cheirinho de mar

Lindas as conchinhas




Esta poseia vai para os meus preferidos (aqui).

"Nada existirá
sem mim
Sorriso esquecido
Abraço amigo
O gargalhar
Lágrimas minhas
Por desgosto
Por amor
E ausência.
Nada existirá
Após a irreponsabilidade
Da vida
Serei talvez
Saudade.

Tompson Luciano Bueno
Granítico
5 de abril de 2002.

PS.: Porque "Granítico"?

2 comentários:

Elaine Zuccaro disse...

Ada, não conheço sua amiga, mas estou amando ela, você e o Tompson...
Emocionante sensibilidade.
bjs

Rosemari disse...

Que lindo, Ada!!

Duas coisas me vieram ao pensamento e ao coração:

A certeza-felicidade-saudade de amigos que embora longe são tão caros ao coração da gente, e que parecem pressentir quando estamos necessitados de um carinho-atenção-cuidado...

E a felicidade-saudade-plenitude de um amor vivido intensamente, e intensamente sobre-vivido a separação maior imposta pela vida, no seu próprio fim.

Tenho e tive. Ambos completam minha vida e no fundo, no fundo, me fazem sentir uma pessoa privilegiada.

Beijos pra vc, beijos pra sua amiga querida.

Felicidade e paz!