“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

02/08/2012

Reza do sono

Uma procissão de sons desfila em ritmos,
há uma reza sob o leite da lua 
                                (absolutamente redonda.)
Num cântico, ladainhas de cães, 
aviões e caminhões
cumprem sua penitência noturna.
E mais longe, o vento
corujas e gatos no cio. O mato 
                                              [dá prá ouvir]
implora ao verde que devolva sua cor.
Ele resiste murcho, rogando chuva 
por entre os blocos de cimento que cobrem a rua,
promete verdejar.
Nuvens trovejando, ao longe repetem refrões.
Ouço as coisas sendo-se.
                                   [sem mim] 
É uma reza no escuro da noite, 
me oferecendo em hóstias o sono.

(Ada 1/8/2012)

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