“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

14/07/2013

Micheliny Verunschk: Darkness

Darkness

A solidão,
essa tempestade,
esse gozo às avessas,
esse jeito de eternidade
que as coisas adquirem mesmo sendo apenas vidro.
Essas cartas ardendo
no estômago das gavetas,
essas plumas
que surgem quando se apagam
as últimas luzes do dia.
Tudo faz a noite mais longa,
Visão de uma sombra
Sobre um berço.
Não há resposta
e o labirinto é o falso,
os lábios são falsos,
somente abismo,
absinto verdadeiro.
O sono,
grande placa de cerâmica,
e o tempo,
demônio a ranger sobre o infinito.


Micheliny Verunschk nasceu no Recife, Pernambuco em 1972.
Seus dois livros de estréia foram lançados em 2003 : “O observador e o nada” e ”geografia íntima do deserto” , sendo que esse último lhe rendeu o posto de finalista no Prêmio Portugal Telecom 2004 (única mulher e também a mais jovem a ser indicada). Ela também é historiadora pós-graduada em Literatura. Atualmente a autora mantém o blog Apachamamma. Outros textos da autora podem ser encontrados no Ovelha Pop

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