“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

26/08/2013

Quintal, mundo sem fim

Quintal tem som de sol nascendo,
tem cheiro de musgo,
de sabão em pó.
Tem caos instalado organizado,
b
rilho de coisa velha, coisa quebrada,
tem cor de roupa no varal.
Quintal tem sabor de chuva,
tem cocô de passarinho,
vassoura cansada, assovios...
Descabelos e chinelos de dedo,
plantas úmidas,
samambaias de parede.
Torneira vazando,
pregadores e crianças,

calmaria de caixa d água.
Rádio cantando, 
ruído de borboletas,
pé de limão, latido de cão.
Caminho de formigas, migalhas de pão,
pedaços de vidas e de labutas,
água fresca e boca seca, suor.
Entre céu azul e parede embolorada,
os quintais, 
mundo sem fim...

(Ada, 20/8/2013)




















Um comentário:

ligia disse...

Amei seus versos sobre quintais.
Já tive alguns e hoje amo o que tenho! Em seus versos, pude percebi um pouquinho de cada um deles. Parabéns!