“Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos.” (Gabriel García Márquez, em "O amor nos tempos do cólera")

11/02/2006

Léo, a história de um gatinho

Léo no seu primeiro dia de vida
Sua dona a ajudou no parto. Era a primeira cria da gatinha Greta, criada com tanto amor da humana dona que deu-lhe atenção especial na sua inexperiência no parto, mesmo sendo da natureza dela dar conta do recado. O filhotinho Léo também não sabia mamar. Três dias ensinando-o e ele já estava numa gulodice só.


Assim passaram-se os dias e os meses, entre coleções de fotos que registravam todos os momentos engraçados e importantes daquela vidinha peluda. Era amor de fato. Um amor do tipo daqueles que dói quando bate a saudade, no meio do dia, quando os afazeres ocupam o tempo e o espaço. Dez meses! Um mocinho! Léo! Levado, saudável, comilão. A alegria do universo. Uma obra de arte. Artista? A mãe natureza. O preferido da dona, o que ficou da ninhada para fazer parte da familia.


Olhos azuis e penetrantes. É sim! Quando olhava, olhava no fundo dos nossos olhos. Os olhos dizem muitas coisas quando a linguagem não é a mesma. Na hora da quase morte, ele olhava desse jeito. Dizia que não estava entendendo a dor, as tonturas e a sonolência fora de hora. É nessa hora que a gente entende o que é um amor que chega a doer. “Prefiriria eu estar doente do que vê-lo sofrer”, ela dizia. A humana dona derramou tanta lágrima que um bom argumento da gente para confortá-la era dizer “ele está percebendo sua tristeza, controle-se para não assustá-lo” e não era mentira! De fato ele percebia a confusão no meio de sua fraqueza. Sua dona humana também não estava normal, como todo dia acontecia.
O gatinho Léo, era um Sagrado da Birmânia
Ele queria mesmo era voltar para sua casa e dormir na caminha fofa destinada carinhosamente a ele. Queria muito poder miar de fome - que era um miado especialmente inventado para esse fim - e ganhar aquela comidinha gostosa. Mas estava tudo estranho. O lugar, as pessoas, sua dona humana, sua dor em todo o corpo. Respirar foi ficando difícil. E foi tudo muito rápido. Não ia viver muito mais que os três dias tumultuados. Mas prolongar isso seria desumano, desanimal. Só que decidir pela eutanásia não era fácil. Como tomar essa decisão sem sentir um frio na alma? Pois foi a decisão final.


Mas a vida que não tem começo e nem fim, prega peças. A mãe dele apareceu com uma barriga suspeita. Pelo tamanho e movimento, aposta-se em pelo menos dois filhotes. Seus filhotes. Um deles vai ser Téo, em sua homenagem. Agora a sua vida prolonga-se na barriga de sua própria mãe e as pessoas, pasmas, rezam para serem saudáveis.


Sagrados são bonachões
O danadinho já estava fértil e ninguém percebeu. A força da natureza se impõe diante de nossos olhos ou vãos sentimentos. Agora a dona humana aposta na justeza da vida. Espera que as coisas incompreensíveis da vida dêem uma trégua ao seu coração e a favoreçam com alegrias novamente. Só a alegria pode ser compreendida, porque ela merece! E a casa vai se alegrar novamente, com bebês felinos. Obras de arte da mãe natureza! Obra de Léo. E assim como a vida não tem começo e nem fim, essa história também não. Direi que ela tem episódios. Aqui termina um deles. Também te amo Léo!

5 comentários:

jaespin disse...

Oi Ada!!...q emocionante este texto sobre o Léo!!...a fotinha dele bebezinho...uma graça!
Ah, descobri q tu tb adora ort~encias né?...eu amo...ñ tenho emcasa...só no trabalho!
bjs!!

Vic disse...

ADA,

Li seu texto chorando, vc escreveu tão lindamente, que parecia estar vendo tudo que acontecia, parecia estar vendo aqueles olhinhos lindos do nosso menino...

Queria tanto tê-lo conhecido pessoalmente...ter sentido a maciez de seu pêlo e ter ouvido o seu ronronar...

Gosto muito de vcs...beijo carinhoso

Vic disse...

Ada,

Amei seu blog, é lindo li tudo...comecei pelo Leozinho,fui pro meio, fui pro último texto e fui lendo cada um...gostei muito do que vc fala da sua adolescência, do período negro que nosso país viveu...
Li cada palavra, com prazer vendo as fotos e imaginando a cena.
vc escreve muito bem, nos faz viajar em suas palavras...não dá pra parar de ler...dá vontade de ler mais...
Gostei demais!!!Parabéns!!
Beijo

Anônimo disse...

Mãe... Estou vendo hoje o que escreveu do meu Léo... Estou em prantos!!!!
Parece que essa dor nunca vai passar!!!! Nunca!!!! Léo sempre será único, e como sinto a falata da companhia dele!!!! Dói demais!!!!!
Beijo!!!! aos prantos....

leila disse...

oi ada !
vc não imagina minha tristeza ao relembrar essa fase de tanto sofrimento...acompanhei td e hj , agora, ainda me emociono e choro pois o léo era td de bom que existe , jamais o esquecerei.
só quem ama tanto esses seres iluminados poderá compreender...

bjussssssss.