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2 de dez. de 2014

Frase do dia é de Einstein

Gatos de Michael Mathias Prechtl

Espero não sejamos um sonho que deus sonha, ou nosso futuro será muito relativo... (Albert Einstein)

20 de jan. de 2012

Tempo, tempo, tempooo...



Foi oferecida a Einstein, no final de sua vida, uma coletânea de ensaios que incluía uma contribuição do grande matemático Gödel. Este acreditava provar a equivalência entre passado e futuro imaginando a possibilidade de uma viagem ao passado. Em sua resposta a Gödel, Einstein rejeitou essa idéia: por maior que seja a tentação da eternidade, aceitar a possibilidade de voltar ao passado equivale a uma negação da realidade do mundo. Enquanto físico, Einstein não podia aceitar essa conseqüência, no entanto lógica, de suas próprias idéias.

Jorge Luis Borges exprime a mesma ambivalência. Conclui ele, após ter exposto as doutrinas que transformam o tempo em ilusão:

“E, no entanto, no entanto... 
negar a sucessão do tempo, 
negar o eu, 
negar o universo astronômico 
são desesperos aparentes e consolos secretos... 
O tempo é a substância de que sou feito. 
O tempo é um rio que me arrebata, mas eu sou o rio; 
é um tigre que me destroça, mas eu sou o tigre; 
é um fogo que me consome, mas eu sou o fogo. 
O mundo, desgraçadamente, é real; 
e eu, desgraçadamente, sou Borges”. 

O tempo e a realidade estão irredutivelmente ligados. Negar o tempo pode parecer um consolo ou aparecer como o triunfo da razão humana, é sempre uma negação da realidade.

A negação do tempo foi uma tentação tanto para Einstein, o físico, quanto para Borges, o poeta. Einstein afirmou muitas vezes que aprendera muito mais com Dostoievski do que com qualquer físico.

Numa carta a Max Born, escrevia ele em 1924 que, se fosse obrigado a abandonar a causalidade estrita, preferia “ser sapateiro ou até empregado numa espelunca a ser físico”. A física, para aspirar a um valor qualquer, devia satisfazer sua necessidade de escapar à tragédia da condição humana. “E, no entanto, no entanto...”, quando Gödel o colocou diante das conseqüências extremas de sua busca, a negação da realidade mesma que o físico procura descrever, Einstein recuou.