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12 de jan. de 2021

A sedução e os poderes da Lua em Poemas para a Lua

A sedução e os poderes da Lua



Conheça um pouco mais sobre o e-book de estreia de Ada Gasparini, “Poemas para a Lua”.

A poesia e as ciências, embora tão opostas, são irmãs.

A Lua é satélite da Terra e a sua luz provém do sol. E a poesia de Ada Gasparini vai além do alcance dos olhos gigantescos da astronomia. E acrescenta: Os terráqueos giram em torno da Lua, atraídos pela força gravitacional de seu encanto e, se a luz solar nos enrijece os ossos, o luar é alimento da alma.

Desde os escritos rupestres, nossa espécie grafa os poderes e os fascínios que a lua exerce sobre nós.

Ada Gasparini, em Poemas para a Lua, seu e-book de estreia, revela mil faces dessa sedução e dimensiona a potência dos poderes lunares sobre os humanos.

São poemas, no geral, curtos: um, dois, três, numa mesma página. O leitor, a leitora, num só gole, os sorve como quem degusta vinho nobre.

Há paisagens esplêndidas, um encontro em molduras deslumbrantes, mas que, sem a Lua, é como se uma tragédia suprimisse das estações a primavera, como se lê:

“Um jardim sem lua?/ Não tem riqueza que sustente/ Tudo florido e verde/ Mesmo que estátua ostente/ É ela que o jardim deixa contente ”.

De tanto contemplar, a poeta se declara uma ladra… de Lua. Diante dela, a Lua, embora seja um acontecimento celeste corriqueiro, sempre reagimos como algo excepcional, fantástico. Quando a vemos, sobretudo cheia, nos esgoelamos como se estivéssemos anunciando a descoberta de um astro novo, como se vê:

“A Lua continua lá/ Desenhada com giz/ Na parede do céu/ decorei tanto sua geografia,/ Olhando-a de noite e de dia/ Que poderia dizer fui eu que fiz”.

Às vezes, em tom de zombaria, se diz que as/os poetas são alienadas/os que vivem no mundo da Lua. Da Lua se vê as atrocidades que ocorrem na Terra:

“Chove meteoros/ Esse monte de estrelas chove/ Chove luz da Lua pelos poros/Chove/ Chove escuridão também/Chove tiros de canhão/ Chove choro de criança síria/ Só falta chover amém. /Chove bomba em Paris/Chove lama tóxica em Minas/Chove lamento de pescador/Chove tartaruga por um triz/Chove tristeza e dor. /Chove indignação/ Só não chove na Lua/ Que Chove no meu coração”.

Acontece que quando os pesadelos furam os olhos dos humanos, quando as derrotas e as desgraças semeiam a desesperança, por mais que a Lua ovule sedução, somos incapazes de percebê-la e recebê-la. Quando assim se passa, a vida está sob ameaça:

“Meus olhos turvos, opacos/ não emanam sorrisos de Lua crescente/ Nem mistérios de Lua minguante/ Nem esperanças de Lua nova. (…) meu olhar não pode mais te contemplar”.

Mas, pelas leis do movimento, não há trevas que não passem, e nem mesmo a Lua que demore uma eternidade, numa madrugada qualquer ela retorna:

“Parece que a vida não tem Solução/ Mas sempre há luz no fim do túnel/ Basta ter calma e usar a razão/ É como olhar a Lua no céu/ Seja em que fase for/ Sua luz ilumina as ideias/ Sua beleza acalma o coração”.

Finalmente, a Lua é a centelha do amor e das paixões:

“Apoteose no crepúsculo!/ É a hora mais glamourosa do dia./ Invade a alma, incendeia a alegria/ Não é ruidoso feito o alvorecer/ Ou sonolento como o anoitecer. / É uma mistura de Sol e Lua/ que por dentro me deixa nua./ É hora de melancolia e mel/ Abelhas e borboletas se alvoroçam/ Da boca do estômago ao céu/ Uma paixão aflora e vem de dentro do mar/ Um vapor morno orvalha o corpo/ E acende a sede do amor amar”.

Poemas para a Lua – quando as iniquidades que nos afligem por vezes nos curvam a espinha ou nos aprisionam nas celas do desânimo – delicadamente, com as mãos macias, nos erguem o queixo, levantam nossos olhos e nos convidam a contemplar a Lua e dela receber energias, magias, encantos, para os prazeres e as batalhas da vida.

Serviço

Obra: Poemas para Lua

Autora: Ada Gasparini (Eliana Ada Gasparini)

Formato: E-book, 72 páginas

Editora Serra Azul Ltda. (www.editorasserraazul.com.br)

Preço: R$25,00

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Revista Serra Azul Editora


31 de jul. de 2015

10 de jun. de 2015

Os becos da casa

corredor que deslizo sonada a lã das minha meias...

Janelas fechadas desenham penumbras e lembranças. Nas sombras da madrugada, descubro becos pela casa. Escondem risos, choros, coisa que passou, cheiram a fruta madura. As paredes mudaram de cor e a umidade do inverno continua embolorando uma saudade qualquer. Sei de cor as fotografias da parede, um gato dorme no sofá e o teto range a cadeira do vizinho. O antúrio carregado de vermelho pede água. Tudo tem tanta alma, tanta poesia e labor. A idade das coisas permanece impressa em seus significados e cada coisa em seu lugar tem uma impressão digital. Nada aqui tem apenas eu e tudo aqui tem apenas eu. Sonambúlica percorro o corredor, esfregando a lã das meias no assoalho, tateando portas, num bocejo triste. Os pensamentos languidamente vagueiam por estes becos da casa, impregnados de mim. (Ada, 30/5/2010)

18 de dez. de 2014

O ano está ficando velho



O ano está ficando velho. E eu também. Loguinho ele se vai, levando as boas e as más lembranças para não ofuscar aquele que nasce, com novo brilho e novas esperanças. Ele se vai e a qualquer hora me leva também. Mesmo sendo o mesmo brilho e as mesmas esperanças de sempre, elas se fortalecem ao longo dos anos. Sempre, ou até o fim dos tempos, do pequeno infinito que é a minha vida finita. (Ada, 18/12/14)

16 de dez. de 2014

Felicidade, felix, fêmea, fecundo


Em Latim, a palavra felix (genitivo felicis) queria dizer – originalmente – “fértil”, “frutuoso” (“que dá frutos”), “fecundo”. Mais tarde, por extensão metafórica de sentido, já que o que é fértil é também propício, favorável, felix tornou-se sinônimo de “afortunado”, “alegre”, “satisfeito”. A raiz de felix é indo-européia: *dhe(i) “amamentar” – que deu também, em L., as palavras filius, “filho”, fecundus, “fecundo” (sinônimo de fértil) e femina, “fêmea” (aquela que amamenta).

Posso dizer então
Que a chuvinha domingueira,
abundante de gotas refrescantes,
tingindo de cristal as folhas do meu jardim,
entre raios de sol acolhedores,
miados de gatos e risos de crianças,
um cheirinho de café
um som de piano, tilin do vento
sem nenhuma castidade
meu jardim e eu
fecundos de amor
somos mãe, somos filha
somos pura felicidade!

(Ada 14/12/14)


Piano Sonata No. 11 - Mozart by Mozart on Grooveshark

8 de dez. de 2014

Bouganvillea ou Primavera

Sob a luz da rua

Primavera
            [bouganvillea],
dorme á luz da rua.
Fosse eu ficava acordada 
fazendo fotossíntese da minha vidinha.
Contava as primaveras que vivi.
Juntava as flores que pari...
Não sei se ia querer ser cor-de-rosa.
Quem sabe roxa fosse mais feliz?
Dizem que o amor é uma flor roxa
E que nasce no coração do trouxa.
Isso foi outrora, onde inquieta vivi
Agora sigo calma
Sou dona do meu nariz.


(Ada, 8/12/14)

Sob a luz do sol



4 de dez. de 2014

Norturno

Feito gato, ando à noite pelo quintal, 
junto com eles, 
                                  [são cinco agora]. 
Enquanto o sono não chega,
ficamos miando prá Lua quase cheia.
Ela [estridente de luz] acendeu o céu 
e se refastela num ventinho morno de primavera. 
Nos esgueiramos pelo quintal; 
eu caçando sonhos e eles as lagartixas... 

(Ada, 4/12/14)





6 de nov. de 2014

Proponho uma flor

Diante de tanta obscuridade 
que ainda persiste nas sociedades 
do mundo inteiro, 
proponho uma flor. 
Poderia ser um cravo, 
como foi na revolução em Portugal. 
Não poderia ser jamais 
uma rosa de Hiroshima... 

(Ada, 5/11/2014)



30 de abr. de 2014

Poesia sem palavra alguma

Poema sem palavra alguma.
Mas não precisa palavra 
prá alma chorar ou rir,
Você pode apenas ouvir...

De Ushuaia a La Quiaca, Gustavo Santaolalla



3 de abr. de 2014

Quero o mar!

Suspiros, 
espasmos da paixão, 
explodem no âmago 
como explosões do universo. 
Os sentimentos vagam 
sem direção 
por entre transeuntes anônimos, 
atarantados no caos das caminhadas 
das ruas populosas 
no centro da cidade. 
Cruzam-se - às vezes confusos - 
feito formigas em véspera de chuva 
buscando um cais onde possam 
deitar âncora 
e enjoar na marola. 
Quero o mar! 
Quero agora! 
O cheiro do sal deverá me apaziguar. 

(Ada 3/4/24)

27 de mar. de 2014

Câmera lenta



Passos lentos me arrastam
pelas plataformas, escadarias 
e resto do dia. 
Pés pesados. 
Enraizados no cimento esmigalhado. 
Se demorar mais um segundo, 
haverá um enraizamento profundo. 
Nunca mais sairei daqui, 
dali, do mundo. Pensei 
na expressão “câmera lenta”, 
mas alguma câmera registra essa lentidão? 
A não ser meu olho-câmera? 
fixo na sujeira das ruas, 
chicletes enegrecidos colados ao chão, 
contando ladrilhos, 
olhando pro vão do tempo. 
Esse cansaço das horas, 
vez ou outra, busca um leito 
e pede pra dormir. 
Dormir em câmera lenta. 
Dormir para sempre. 

(Ada 27/3/2104)

11 de out. de 2013

Num dia que choveu

Dali e a chuva, by Rogerio Fernandes

A chuva precipita
Chama a insônia
Lava poeira do telhado
E a alma de cada ilusão

Ruído fresco
Sonoro vento
Assombra janelas
Uiva ao coração

Ada, 30/9/13







26 de ago. de 2013

Quintal, mundo sem fim

Quintal tem som de sol nascendo,
tem cheiro de musgo,
de sabão em pó.
Tem caos instalado organizado,
b
rilho de coisa velha, coisa quebrada,
tem cor de roupa no varal.
Quintal tem sabor de chuva,
tem cocô de passarinho,
vassoura cansada, assovios...
Descabelos e chinelos de dedo,
plantas úmidas,
samambaias de parede.
Torneira vazando,
pregadores e crianças,

calmaria de caixa d água.
Rádio cantando, 
ruído de borboletas,
pé de limão, latido de cão.
Caminho de formigas, migalhas de pão,
pedaços de vidas e de labutas,
água fresca e boca seca, suor.
Entre céu azul e parede embolorada,
os quintais, 
mundo sem fim...

(Ada, 20/8/2013)




















15 de ago. de 2013

Uma árvore que dá flor
























Já foi uma árvore.
De quê, não sei.
Deu flor, deu fruto?
Vai saber...
Violentada,
Foi cortada, abandonada,
Sentiu a queimada.
Largada no tempo,
Envolta de mato e bicho,
terríveis cupins...
Sentiu o aço da serra,
Salivou seiva doce,
Sem comiseração.
Em junho ia virar fogueira.
Tive pena...
Choveu. E a fogueira de São João, 
não acendeu.
Abandonada na calçada,
                    [mais uma vez...
Na madrugada fria ela adormeceu.
Dia seguinte: Resgatei-a, com afeto.
Rolou por alguns metros e,
Hoje ela dá flor
no meu quintal...

(Ada, 15/8/2013)

10 de ago. de 2013

Dorme e esquece


Pai. 
Dorme em desprezo culpa e saudade 
todas esquecidas nos fios de memória 
boas e más 
que entrelaçaram-se em nós desatáveis 
que se perderam no emaranhado do tempo 
que corre por dentro. 
É tarde, dorme. 
Dorme e esquece,
esqueço... 

(Ada, 11/8/13)







4 de ago. de 2013

Avesso do coração


Foto por dentro de um violão..
näher an der klassic die kammermusic der berliner philharmoniker
by Orquestra Filarmônica de Berlim
ouço uma canção singular, 
um mundo inteiro para ouvir
buscando no amor, amar. 


Parece dentro do peito,
Que a solidão tem argumento
Canções acordam pensamentos
Me perco de amor buscar.


Por dentro de um violão,
A vida faz sentido,
Buscando o som do vento,
Que leva saudades embora,
Encontro o som do tempo,
Que toca no avesso do coração.


(Ada, 4/8/2013)


(Inspirada no filme "August Rush" ou "O som do coração")

16 de jul. de 2013

Foto feia me forçou falar éfes

atrás da janela do coletivo
Foto: Ada no transporte coletivo
Éfes

Fiz uma foto feia.
Fios, faixas, favela.
Na fresta, fome, frio e falta de fé.
Fantasia é felicidade, fartura, futuro.
Falta muito, é fato.
O forte faz fortuna fácil.
O fraco fenece famélico.
Juntemos as forças.
Façamos o futuro a ferro e fogo!
Uma faca fere e fim.
Francamente...
A vida ainda finda assim?


(Ada, 15/7/2013)