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11 de ago. de 2013

Para um pai -------- Diogo Nogueira: Espelho



Espelho



Nascido no subúrbio nos melhores dias
Com votos da família de vida feliz
Andar e pilotar um pássaro de aço
Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço
Com as fardas mais bonitas desse meu país
O pai de anel no dedo e dedo na viola
Sorria e parecia mesmo ser feliz


Eh, vida boa
Quanto tempo faz
Que felicidade!


E que vontade de tocar viola de verdade
E de fazer canções como as que fez meu pai 


Num dia de tristeza me faltou o velho
E falta lhe confesso que ainda hoje faz
E me abracei na bola e pensei ser um dia
Um craque da pelota ao me tornar rapaz
Um dia chutei mal e machuquei o dedo
E sem ter mais o velho pra tirar o medo
Foi mais uma vontade que ficou pra trás

Eh, vida à toa
Vai no tempo vai
E eu sem ter maldade


Na inocência de criança de tão pouca idade
Troquei de mal com Deus por me levar meu pai 


E assim crescendo eu fui me criando sozinho
Aprendendo na rua, na escola e no lar
Um dia eu me tornei o bambambã da esquina
Em toda brincadeira, em briga, em namorar
Até que um dia eu tive que largar o estudo
E trabalhar na rua sustentando tudo
Assim sem perceber eu era adulto já


Eh, vida voa
Vai no tempo, vai
Ai, mas que saudade


Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
E orgulho de seu filho ser igual seu pai


Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar.


(Diogo Nogueira)

10 de ago. de 2013

Dorme e esquece


Pai. 
Dorme em desprezo culpa e saudade 
todas esquecidas nos fios de memória 
boas e más 
que entrelaçaram-se em nós desatáveis 
que se perderam no emaranhado do tempo 
que corre por dentro. 
É tarde, dorme. 
Dorme e esquece,
esqueço... 

(Ada, 11/8/13)







11 de jul. de 2013

Coisas de Ada, Coisas do Paraná

Minha mãe e eu: Nasci nessa casinha de madeira, no bairro Bacacheri, Curitiba - PR

No dia 11 de julho em 1954 nasci sob uma baixa temperatura. A geada cobria as ruas do Bacacheri, em Curitiba, com cristais de gelo. O banho teve que ser sobre o fogão a lenha aceso e, mesmo assim, minha coloração mudou para roxo. Acho que sofri bastante nesse dia, pois não gosto do frio até hoje. 

Curitiba tinha aquelas casinhas de madeira, e foi numa delas que nasci e morei até os meus três anos de idade.  Minha mãe queria me dar o nome de Helena, mas nesse dia a primeira mulher paraquedista – a brasileira de origem italiana,  Ada Rogato – pulava de paraquedas no aeroporto do Bacacheri, bem ali pertinho de casa. Meu pai italiano e apaixonado por aviação, estava lá assistindo ao espetáculo enquanto a parteira me fazia nascer. Ficou tão entusiasmado com a ousadia daquela mulher que quando chegou em casa e se deparou comigo, me deu o seu nome. 

Penso que a coragem e ousadia que tenho foram herdadas desses nomes: O primeiro, Eliana, foi uma homenagem que meu pai fez a uma sobrinha de Veneza. Sua irmã Alice teve as gêmeas Nadia e Eliana, em 1949.  Nádia, morreu imediatamente e Eliana, sobreviveu até seus quatro anos de idade, e em 1953 faleceu com nefrose, doença incurável naqueles tempos. 

Foi assim que comecei minha vida, com a força dos nomes que me deram ... 

Ada Rogato

Em plena década de 30, a aviação engatinhava no mundo! No Brasil, uma jovem mulher pilotava avião, e saltava de paraquedas! Era Ada Rogato!  
Nascida em São Paulo em Dezembro de 1920, Ada Rogato foi uma pioneira da aviação brasileira. Em 1936 com apenas 15 anos de idade, Ada é a terceira brasileira a conseguir brevê. Também nesta época destacou-se por ser a primeira piloto de planador. Em 1941 é a primeira mulher a obter o certificado de paraquedista.

No início da década de 1940 é contratada pelo Instituto biológico e é convocada para ser piloto dos testes experimentais de aviação agrícola. Assim, conseguiu horas de vôo suficientes para ser a terceira pessoa a tirar brevê de piloto civil internacional pela FAI, com aviões das categorias A e B.

Em 1950 voou por 11.691 quilômetros durante 16 horas transpondo a Cordilheira dos Andes. Já em 1951 fez seu famoso vôo pelas três Américas, percorrendo 51.064 quilômetros em 326 horas. O ponto de partida foi a Terra do Fogo e o fim do trajeto no Alasca; entre esse dois pontos Ada visitou cerca de 28 países.

Além dos feitos citados, Ada continuou realizando atividades ligadas à aviação: superou recordes como percorrer grandes distâncias em tempos cada vez menores, atingir regiões de difícil acesso como o aeroporto da Bolívia ( o mais alto do mundo) e foi a primeira mulher a fazer um vôo solo pela Amazônia sem qualquer meio de comunicação. Antes de falecer em 1986, Ada fez parte da Fundação Santos Dumont passando pelos cargos de conselheira, secretária e presidente, e posteriormente assumindo o cargo de diretora do Museu da Aeronáutica da própria fundação.



Pinheiro do Paraná, ou Curi

Araucária ou pinheiro-brasileiro ou pinheiro-do-paraná é também chamada pelo nome de origem indígena, curi. Tornou-se, não por acaso, símbolo do estado do Paraná, e deu o nome a sua capital, Curitiba. Em tupi: curi = pinheiros e tyba = abundância. Curitiba quer dizer, portanto, abundância de pinheiros, pinhais. A origem dos pinheiros remonta há mais de 200 milhões de anos atrás!

A araucária, apesar de popular, não é conhecida completamente pela ciência. Diversos estudos vêm sendo feitos recentemente para entender melhor a  ecologia e biologia desta árvore.  Ela corre risco de extinção.

Pinhões: olha que espetáculo!

Nos meses de maio e junho, no tardar do outono do hemisfério sul, as pinhas estouram ao sol do meio-dia, possivelmente como reflexo da dilatação após a manhã fria. Com o estouro estes pinhões espalham-se num raio de aproximadamente cinqüenta metros a partir da planta mãe!  Mas, apesar de engenhosa, esta não é a principal forma de disseminação da planta.

O homem e os animais que se alimentam desse pinhão também atuam no transporte e disseminação das sementes. Os serelepes costumam armazenar os pinhões, enterrando grande quantidade de sementes no solo. Essas sementes acabam sendo esquecidas e assim geram novas árvores. Apesar da crença de que a gralha-azul dissemina o pinhão, na verdade são os pequenos roedores terrestres os principais vetores. Mais recentemente aviões fizeram essa disseminação pelas florestas.

4 de jul. de 2013

O tempo passa e a gente nem vê

Dia 4 de julho. 
Há dezenove anos meu pai se foi.
Mas nunca alguém vai prá sempre,
Sempre deixa seu ar 
para alguém respirar.

(Ada, 4/7/2013)

Silvio Gasparini (30/5/1925 - 4/7/1994)

12 de ago. de 2012

História para contar no dia dos pais

Para Rodrigo, pai da minha Neta, ou Neto, que vai nascer em março..

O Filho Que Eu Quero Ter by Vinícius de Moraes on Grooveshark
É comum a gente sonhar, eu sei
Quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer

Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr
E assim, chorando, acalentar
O filho que eu quero ter

Dorme, meu pequenininho
Dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem

De repente o vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde vim

Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu

ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz a me embalar
Num acalanto de adeus

Dorme, meu pai, sem cuidado
Dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter

O Filho Que Eu Quero Ter
(Toquinho e Vinícius de Moraes)

"Pode até ser que Toquinho tenha sido alertado pela célebre frase de Brás Cubas, personagem de Machado de Assis: “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria". O fato, porém, é que não lhe deu ouvidos e, numa bela tarde, na praia de Boa Viagem, no Recife, contou a Vinícius sobre seu desejo de ter um filho. Experiente no assunto, o poeta respondeu algo como “Vai nessa! Dá trabalho, mas é muito bom.” 

E Toquinho foi além. Mostrou-lhe uma melodia que havia composto inspirado naquele desejo, com uma levada típica de cantigas de ninar. Foi à praia e deixou o parceiro a embalar a música recém-composta. Ao voltar, encontrou Vinícius aos prantos, com a letra pronta. 

Toquinho costuma dizer que a vontade de ter filho era sua, mas Vinícius fez a letra pensando muito mais em si. O homem encantado com o sonho de ter um filho, vê-lo crescer e, ao final, em seu leito de morte, ser por ele embalado com a mesma canção com que o fazia ninar, embevecido por vê-lo reproduzir seu sonho de também ter um filho. 

A canção foi lançada por Chico Buarque, no disco Sinal Fechado, em 1974. No ano seguinte, os autores incluem a canção no disco Vinicius de Moraes e Toquinho, da Philips, com direção e produção de Fernando Faro e capa do grande artista plástico e companheiro de futebol de Toquinho, Elifas Andreato. 

Elifas, na época com aproximadamente 28 anos, não queria ter filhos, pois tinha alguns problemas de relacionamento com seu pai, mas confessa que esta canção mudou seu jeito de pensar. Dois anos depois, nasceu Bento e o novo pai coruja foi contar a novidade para Vinícius, que respondeu apenas: - Que bom! Só assim você poderá entender seu pai... 

Fonte: "Impressões", de Elifas Andreato. 

(Texto publicado originalmente no Por Trás da Letra)

Nota minha: Toquinho e Elifas têm dois filhos; Vinícius cinco.

30 de mai. de 2012

Meu pai nasceu hoje em 1925

Nessa Veneza bucólica, exótica, poética, com suas casas dentro dágua, interligadas por pontezinhas, na ilhota chamada Giudecca, em que aprendi, aos 9 anos, numa temporada que lá passamos, a andar de patins e bicicleta, a comer liquorizia e andar de vaporeto e gôndola, nessa Veneza que meu pai nasceu hoje (30 de maio) em 1925, e faria 87 anos, e se tudo fosse diferente, talvez estivesse ouvindo-o contar sua infância, aniversários, sonhos. Me dei conta quão pouco conheci de meu pai... Um dia ele trouxe uma Stella Alpina emoldurada que ficou pendurada numa parede, até embolorar....

5 de ago. de 2011

Al di Lá

Al di lá do passado, me bateu uma saudade imensa do meu pai e de minha mãe, e de nossos tempos áureos em família. Eles jovens, brigando pela paz... eu e meu irmão, crianças felizes, apesar de tantos atropelos nos relacionamentos, havia amor... Teve um tempo em que todo dia papai trazia três bombons sonho de valsa em sinal de amor. Coisa de italiano que usa o chocolate como carinho. Um sempre era meu... Então, ele bebia e estragava tudo. Mas depois de tanto tempo, estou em paz com ele e, por isso, bate a saudade dos bons momentos, são esses os que devem importar de fato, porque progridem e trazem luz. Al di lá sempre tocava nos elepês de música italiana que tinham em fartura lá em casa. E eu sabia cantar todas. Beijos papai! (Ada, 5/8/20122)



Uma declaração, um carinho, um beijo, um pedido de desculpas. Há muito tempo, o Sonho de Valsa é o bombom de quem ama. E três, era a conta certa... (Ada, 5/8/20122)

27 de ago. de 2010

Pai: Stelle Alpine [ou Edelweiss] voltaram à memória



Excluí , sem querer, 1 ano de postagens no blog. Isso foi em março de 2009. Os posts foram do período de março 2008 a março 2009. À época lamentei muito, fiquei inconformada por algum tempo e pensei em desistir do blog. Isso passou. O que não passou, foi a saudade do que escrevi. Não existe possiblidade alguma de escrever igual. É como perder um pedaço de sí, a dor desta perda é grande e singular.

Hoje me veio à lembrança um destes textos em que falava sobre a Stella Alpina, uma flor branca em forma de estrela, com pétalas aveludadas, muito rara e cheia de lendas, que nasce nos Alpes. Ganhei uma de presente do meu pai há muitos anos. Esta flor desidratada chega a durar cem anos... mas a minha não existe mais. Nem meu pai. Nem as coisas que escrevi sobre estes momentos. Restaram lembranças quase vivas. Restaram interpretações destas lembranças.

Num lampejo de esperança, voltei a buscar na internet o texto, talvez estivesse em cache... Reencontrei, não meu texto, mas uma referência a ele. Reproduzo:

TERÇA-FEIRA, 13 DE JANEIRO DE 2009

"Saíamos para almoçar no domingo, quando fomos abordados por nosso simpático vizinho de fim-de-semana Sr. Pirino. Educado como sempre me dedicou um simpático cumprimento, já para minha esposa a Rô...

Presenciei naquele momento o mais belo (e merecido) dos galanteios, quando ele a comparou a uma “Stella Alpina”.


Com um português carregado no sotaque italiano nos explicou que se tratava de uma flor dos Alpes muito bela e rara, comparando-a com a beleza de minha esposa e a pouca freqüência com que a vê. Presentear uma mulher com aquela flor era um lindo gesto de amor já que para colhê-la era necessário ser um bravo para escalar os Alpes, explicou-nos. 

Apesar de todo meu romantismo e dos anos de convívio, eu presenciava ali o mais belo galanteio que minha esposa já havia recebido e não era eu o autor.


Aquele galanteio além de sensibilizar minha esposa, nos despertou tremenda curiosidade em saber mais detalhes sobre a tal da “Stella Alpina”.


Lá fui eu pesquisar na Internet o que havia disponível. Selecionei uma das imagens que encontrei e enviei para minha esposa, como se fora um bouquet virtual, tentando ingenuamente competir com meu experiente adversário. Ainda encantada com a estória num torpedo me agradeceu. Pensei: jogo empatado.


Que nada. Logo que cheguei em casa ela veio me mostrar uma série de imagens e o resultado de sua pesquisa. Parece que vai dar até em tatuagem.
 

Esse jogo tava perdido e de goleada, prevaleceu a experiência do Sr. Pirino. Esses italianos...


De tudo que minha esposa pesquisou um blog em especial lhe chamou atenção: 

Coisas de Ada. ( http://www.blogger.com/www.coisasdeada.blogspot.com/search?q=stella+alpina)


Estava lá, muito bem escrita, uma linda estória contada por uma filha que havia recebido de seu pai uma Stella Alpina de presente. Aquele gesto, talvez não percebido plenamente num primeiro momento, falou fundo com o passar do tempo. Trazia em si uma linda confissão de amor calada pelas palavras que não foram ditas ao longo dos anos.


Se a internet repete a vida no que há de pior, ela também nos reserva surpresas como a possibilidade de compartilharmos as (lindas) coisas de Ada.

POSTADO POR MARCELO PORTO ÀS 14:04

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Para registrar novamente esta história, recolhi imagens e fiz este video.